As forças armadas dos Estados Unidos restabeleceram o bloqueio naval aos portos iranianos, numa decisão que marca uma nova escalada do conflito com o Irão e coloca em risco a estabilidade no Médio Oriente. A medida foi anunciada depois de Washington acusar Teerão de estar por detrás de ataques contra navios comerciais que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), o bloqueio aplica-se ao tráfego marítimo com destino ou origem em portos iranianos, enquanto as restantes embarcações que navegam na região continuam a poder utilizar os corredores internacionais sob protecção das forças norte-americanas. O objectivo, de acordo com Washington, é impedir novos ataques contra a navegação comercial e garantir a segurança de uma das principais artérias do comércio global.
O bloqueio havia sido suspenso em Junho, na sequência de um acordo temporário entre os dois países destinado a reduzir as hostilidades e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz. No entanto, o entendimento deteriorou-se após uma nova vaga de confrontos, incluindo ataques a embarcações comerciais e operações militares conduzidas por ambas as partes.
Em resposta, o Irão ameaçou interromper todas as exportações de energia provenientes do Médio Oriente caso o bloqueio seja mantido, advertindo que poderá alargar as operações militares a outras rotas estratégicas da região. As autoridades iranianas afirmam que não aceitarão restrições ao acesso aos seus portos e prometem retaliar contra interesses norte-americanos e dos seus aliados.
A escalada militar já provocou forte inquietação nos mercados internacionais, com os preços do petróleo a registarem oscilações significativas devido ao receio de interrupções no abastecimento global. Especialistas alertam que qualquer perturbação prolongada no Estreito de Ormuz poderá afectar cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, agravando os custos da energia e pressionando a economia internacional.