A importância do erro no processo educativo e no desenvolvimento humano
Por Anísio Pascoa
Publicado em 30/07/2026 08:53
ARTIGO DE OPINIÃO

Gostaríamos de refletir hoje sobre a importância do erro no processo educativo de qualquer ser humano e também no crescimento de qualquer organização. Ao longo da nossa formação académica enquanto educadores, recordamo-nos de dois pedagogos que tiveram uma influência significativa na nossa forma de compreender a aprendizagem: Piletti e Libânio.

Segundo Piletti, o erro constitui uma parte natural do processo de aprender, pois toda a aprendizagem envolve momentos de tentativa, reflexão e correcção. O erro não deve ser visto como um fracasso definitivo, mas como uma oportunidade para analisar caminhos, compreender dificuldades e construir novos conhecimentos. Na mesma linha de pensamento, Libânio defende que o erro revela o estágio de compreensão em que o aluno se encontra, permitindo ao educador perceber as suas necessidades e orientar melhor o processo de ensino-aprendizagem. Para este autor, errar faz parte da procura pelo conhecimento, sendo muitas vezes através da dúvida e da tentativa que nasce o pensamento crítico.

No nosso modesto entender, um indivíduo ou uma organização que não consegue reconhecer os seus erros, e sobretudo não aprende com eles, dificilmente poderá transformar a sua realidade e contribuir para a mudança da vida dos outros. A capacidade de admitir falhas exige humildade, maturidade e vontade de evoluir. Pelo contrário, a negação constante dos próprios erros conduz à repetição dos mesmos problemas e impede o verdadeiro desenvolvimento.

Ao observarmos a realidade do nosso país, verificamos que uma das razões pelas quais o desenvolvimento tarda em alcançar-se pode estar relacionada com a nossa dificuldade em assumir responsabilidades pelos nossos próprios erros. Muitas vezes, procuramos identificar culpados externos, acreditando que são sempre os outros que estão errados, sem refletirmos profundamente sobre as nossas próprias atitudes, escolhas e decisões. Enquanto sociedade, precisamos de aprender com os erros cometidos, pois só assim será possível construir um futuro baseado na reconciliação, na paz e no progresso.

Como nos recorda um velho ditado popular, “não devemos atirar pedras ao tecto dos outros quando o nosso também é de vidro”. Esta reflexão lembra-nos que antes de julgarmos os erros alheios devemos ter a coragem de analisar os nossos próprios comportamentos. Afinal, o erro, quando reconhecido e transformado em aprendizagem, deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma poderosa ferramenta de crescimento individual e colectivo.

Com a melhor das intenções!

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